Minha queda parecia obra de uma atualização do Google. No Search Console, porém, eu deixava acumular mais de 10 mil URLs 404 num site com vários idiomas. Foi seguindo esse rastro que encontrei uma falha nos redirecionamentos; depois, ainda precisei descobrir qual artigo explicava boa parte da curva.
Compare as datas das atualizações com as mudanças do site
Naquele período, eu acompanhava a Core Update de maio de 2022 e a atualização de conteúdo útil anunciada em agosto. Atualizações anteriores tinham favorecido meu site; dessa vez, as visitas caíram. Para separar coincidência de causa, marque a data em que a curva mudou e compare com alterações recentes no próprio site: troca de layout, remoção de páginas ou mudanças nos redirecionamentos. No meu caso, havia problemas concretos acontecendo junto com as atualizações.
Eu mantinha páginas em vários idiomas, então uma regra errada podia repetir o mesmo erro em muitas URLs. Removi um idioma que não trazia visitas nem receita — cerca de 3 mil a 5 mil páginas — e criei redirecionamentos. Alguns não funcionaram como eu esperava. Esse histórico me levou aos 404 do Search Console. O volume era um sinal para investigar, não uma prova de que cada endereço inexistente tinha derrubado posições.
Leia os 404 no relatório de rastreamento
Abra Configurações > Estatísticas de rastreamento no Search Console e confira a tabela de respostas. No meu relatório, cerca de 2% das requisições terminavam em 404 e o total de rastreamentos tinha caído quase pela metade. Esses percentuais contam requisições, não URLs únicas, e o relatório mede o histórico de rastreamento do Google — ele não mede posições diretamente. Eu voltei a olhar depois de corrigir as regras para ver se o padrão tinha mudado.
O Search Console também pode mostrar endereços antigos que eu não usava havia anos. Eu separava três situações: página que continua ativa, página removida sem substituta e conteúdo que mudou de endereço. Corrija o link ou a regra no primeiro caso; para uma página removida sem equivalente, mantenha uma resposta 404 ou 410; quando existe uma substituta clara, redirecione para ela. Jogar URLs sem relação na home só troca o endereço do erro.
Plugins como Broken Link Checker e as ferramentas do Rank Math não tinham encontrado tudo no meu caso. Eu usava um rastreador como o Screaming Frog para complementar a lista, mas também conferia o relatório do Google, que mostra as requisições feitas pelo próprio Googlebot e alguns exemplos de URLs. Nenhuma lista isolada precisava virar uma ordem de redirecionar tudo.
Teste o redirecionamento também no subdiretório do idioma
A falha ficou clara quando comparei a URL no idioma original com a versão que levava um prefixo como <code>/es/</code>. Minha regra do Rank Math usava “começa com”, mas o trecho a localizar aparecia no meio da URL traduzida. Troquei a correspondência para “contém”, que encontrava o endereço nos dois formatos. Se você usa subdiretórios por idioma, teste cada formato antes de encerrar a revisão do redirect.
Eu tinha mais de mil redirecionamentos e corrigi essa regra diretamente no banco de dados. A instalação também guardava um campo ligado ao tamanho do texto de correspondência; alterar apenas “começa com” para “contém” deixou os dados inconsistentes. Essa estrutura era específica da minha instalação. Faça backup antes de editar o banco e confira a documentação do plugin; se não conhece a tabela, ajuste as regras pelo painel, ainda que seja uma a uma.
O Rank Math explica a diferença entre os tipos <a href="https://rankmath.com/kb/how-to-create-a-redirection/">Starts With e Contains</a>. Escolha pelo lugar em que o trecho aparece na URL e teste tanto a origem quanto o destino final.
Confira o destino final dos links de afiliado
Os links internos quebrados eram só parte da revisão. Eu tinha redirects de afiliado para cursos da Hotmart que foram removidos depois que deixei de vendê-los. O Broken Link Checker via meu endereço intermediário responder com 302, mas isso não confirmava que a página final ainda existia.
Abra cada redirect externo importante e acompanhe até a página de destino. Se o curso saiu do ar, atualize o endereço ou remova a recomendação. Um relatório verde de links internos só confirma a resposta do primeiro endereço; ele não verifica a oferta depois de todos os redirecionamentos.
Compare as páginas que perderam cliques com as que ganharam
Depois de revisar os redirects, comparei 28 dias com os 28 dias anteriores no relatório de desempenho e abri a tabela por página. Vi URLs com cerca de 2 mil cliques a menos, outras com 1.500 a menos e páginas que tinham crescido. Um artigo concentrava uma parte grande da queda; o gráfico geral escondia isso. Faça a comparação por página e consulta para encontrar onde a perda realmente aconteceu.
Eu tinha um artigo com quase 3 mil palavras e encontrei um resultado de cerca de 200 palavras à minha frente. Aquilo me fez abrir a página concorrente e comparar a resposta, em vez de dobrar o tamanho do meu texto. Revise a informação que ficou velha, acrescente links internos quando ajudam a navegar e atualize a data somente quando o conteúdo mudou. Os dados não apontavam para uma punição no domínio nem para falta de palavras.
Também confira se outras páginas do site ganharam visitas no mesmo período. Essa separação ajuda a decidir se você deve revisar um artigo específico ou investigar uma mudança que atingiu o site todo. Atualizar a página pode ser uma tentativa útil, mas não garante a posição anterior.
Revise duplicações, imagens e conteúdo sem utilidade
Eu passei por páginas de arquivo, tags, feeds, comentários e anexos de imagem que não funcionavam como destinos independentes. Olhe cada tipo e decida se ele oferece algo para o visitante; uma página de tag útil pode ficar, enquanto um anexo vazio pode sair da busca. Eu ajustei casos específicos, sem aplicar noindex a todo arquivo do site.
Também copiava o título do artigo para o texto alternativo de todas as imagens daquele post. Não consegui ligar esse hábito à queda, mas o texto repetido não descrevia as imagens. Hoje escrevo o alt de acordo com o que cada imagem mostra e reviso as páginas antigas que ainda recebem visitas.
Eu usava geração automática e também recebia guest posts. Antes de publicar, cortava repetições e acrescentava detalhes que faltavam; um texto de 400 palavras enviado para conseguir um link podia precisar de mais contexto para servir ao leitor. Uma página com a data de uma temporada ainda sem anúncio era outro problema: eu estaria entregando uma resposta inventada.
Hoje, o Google descreve abuso de conteúdo em escala pelo propósito e pela falta de valor acrescentado, seja o material escrito por uma pessoa, com automação ou pelos dois. Em 2024, o sistema de conteúdo útil passou a fazer parte dos sistemas centrais de classificação. Eu olho o que a página entrega e corrijo o que falta, em vez de tentar adivinhar um filtro separado para IA.
Corrija falhas no celular e acompanhe as métricas
Mais de 80% das visitas do meu site vinham de celular naquele período. Depois de mudar o layout, começaram a aparecer problemas de LCP e CLS. Abri as páginas no telefone, encontrei o que tinha quebrado e corrigi o layout. Confira os dados móveis e a página real antes de correr atrás de nota 99 ou 100 no PageSpeed; a nota sozinha não mostra se alguém consegue ler ou usar o site.
Eu costumava adiar JavaScript e reduzir scripts para tirar trabalho do carregamento inicial, mas a falha concreta daquela vez estava no layout. As Core Web Vitals entram na avaliação de experiência da página, e o Google explica que um relatório bom não garante posição alta. Corrija o problema que consegue reproduzir e acompanhe o efeito; o score, sozinho, não explica qualquer queda.
Depois de corrigir os redirects, conferir os destinos da Hotmart, revisar as páginas que perderam cliques e arrumar o layout, esperei o Google rastrear o site outra vez. A recuperação não tem prazo garantido. Mexer na mesma URL toda semana também dificulta saber qual mudança teve efeito.