Infraestrutura web

Você não precisa mais de hospedagem, cloud ou VPS? O recorte do serverless

Por que muitos sites deixam a máquina 24 horas de lado, como Cloudflare e Vercel cobram por uso, e em quais casos uma VPS, um cloud ou o PHP ainda fazem mais sentido.

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Thumbnail do vídeo: Você não precisa mais de Hospedagem, Cloud ou VPS!

Durante anos o ritual era o mesmo: contratar um plano, apontar o domínio e torcer para a máquina continuar de pé. Se o projeto crescesse, vinha a VPS, o painel, o Linux, o servidor web, o banco, o backup e aquela lista de configuração que ninguém realmente entende — só coloca para rodar. Isso está mudando. Em muitos projetos você envia o código e uma plataforma como a Cloudflare executa quando alguém acessa. Não estou dizendo que o servidor tradicional vai desaparecer. Estou dizendo que, para uma fatia enorme de site e ferramenta, você não precisa mais ficar de plantão nele.

Serverless não é ausência de servidor: é deixar de alugar uma máquina 24 horas. Para site em JavaScript ou TypeScript, com arquivo em R2 e banco leve, Cloudflare e Vercel cobram por requisição e o plano gratuito da Cloudflare aguenta volume que, na hospedagem compartilhada, já pediria upgrade. PHP, WordPress, Elixir, processo sempre ligado e loja com login ainda pedem outro desenho.

O que some
RAM, CPU e painel da VPS no dia a dia
O que você paga
Requisição, leitura de banco e serviço extra
O que não some
Linguagem antiga, binário e sistema sempre ligado

O problema de manter o servidor aceso o dia inteiro

Numa hospedagem tradicional você paga para a máquina existir, mesmo sem visita. O plano barato costuma ser compartilhado: um vizinho barulhento derruba o desempenho do seu site. Quando o projeto cresce, a conversa vira cloud ou VPS, e aí entra o custo de gerenciamento. Eu paguei RunCloud para não ter que encarar o servidor sozinho. O servidor em si também não era barato.

A rotina era outra: banco que não aguentava, página lenta, aviso de 90% de CPU e de RAM, caçada ao erro que tinha derrubado o carregamento. Eu sofri bastante com isso até cair na hospedagem serverless. Sumiu a configuração de servidor. Até a parte de domínio e DNS ficou mais simples na Cloudflare.

A máquina numa cidade só também é um problema de distância

Hospedagem tradicional é alugar servidor em algum lugar do mundo. A distância entre o visitante e essa caixa aparece no tempo de resposta. Serverless já nasce com CDN e pode executar em vários pontos. O site se duplica. Quem acessa cai perto.

Isso não é mágica de “sem servidor”. O nome serverless engana. O site tem servidor. A diferença é que você não aluga uma máquina para deixar PHP, Python, ASP.NET ou um binário de Elixir rodando 24 horas. Você manda o código para uma plataforma — Cloudflare ou Vercel — e ela gerencia. RAM e CPU deixam de ser a sua planilha.

Pagar por uso não é o mesmo PaaS de dez anos atrás

A cobrança por recurso já existia. Google Cloud e Amazon já vendiam máquina em que você usava PHP e linguagens tradicionais e pagava CPU e RAM consumidos. No recorte do vídeo, Cloudflare Workers e as hospedagens serverless próximas disso cobram por request, leitura de banco e algumas funções extras. Você não fica olhando memória.

O receio de que “pagar por acesso sai mais caro” não bateu com o que eu vi. O plano gratuito da Cloudflare, na época da gravação, era o mais generoso. Dá para ter site dinâmico, com banco, recebendo até meio milhão de visitas no mês sem pagar nada — o tipo de volume de um site local. Eu não sei até quando isso permanece 100% de graça. A aposta da gravação é que o custo para a empresa é baixo: o código fica em disco e executa por poucos segundos de CPU, diferente de um PHP e um banco acesos o dia inteiro.

Na documentação oficial, o plano gratuito de Workers limita 100 mil requisições por dia, com reset à meia-noite UTC. Meio milhão de visitas no mês cabe nesse teto se cada visita não disparar uma rajada de requests. Banco, KV, fila e CPU têm cota própria e mudam. Confira a tabela da Cloudflare antes de prometer “grátis para sempre” a um cliente.

Por que eu fico com a Cloudflare, e o preço da linguagem

Muita gente conhece a Cloudflare só como CDN de WordPress: cache no mundo e alguma proteção. O produto é bem maior, e no Brasil isso ainda é pouco falado. Quando JavaScript e TypeScript explodiram, a Vercel cresceu como hospedagem serverless. Para mim a Cloudflare é melhor: mais função, principalmente no plano gratuito. Se o site nasce em linguagem moderna, eu recomendo ela com pouca hesitação. A entrega é na borda. A hospedagem tradicional fica presa na localidade que você escolheu.

A desvantagem é o recorte de linguagem. Serverless, neste desenho, aceita JavaScript, TypeScript, Python e Rust. PHP e o resto da prateleira antiga continuam na hospedagem tradicional. Quem precisa de Elixir em binário continua precisando de cloud ou VPS. Até Node.js, dependendo do que o processo faz, ainda pede servidor ligado.

O fluxo de publicação também muda. Antes: SFTP numa pasta public. No serverless que eu uso, as peças não dividem o mesmo ambiente: o site; os arquivos num CDN de objeto como R2 ou o S3 da Amazon; o banco, em geral SQLite, porque não exige um servidor de banco aceso o tempo todo. Em volta disso entram cache, fila, tarefa programada, workflow e dado temporário. Na hospedagem tradicional, cada um desses itens ou não existia ou virava mais um serviço 24 horas pesando a mesma máquina.

Quanto custa lado a lado, na época da gravação

Compartilhada: R$ 10 a R$ 20 por mês. VPS ou cloud mais fraco: a partir de R$ 35 a R$ 40; o confortável ficava entre R$ 50 e R$ 100. WordPress com mais de um milhão de visitas no mês pedia servidor na casa das dezenas — eu falei em uns 60, 80 para ter desempenho. No serverless, se o site for estático e bem feito, um milhão de visitas pode sair a zero ou no máximo uns US$ 5. Você paga request, leitura de banco e o extra que estiver fora da cota. As cotas, de novo, são generosas. Site institucional e negócio local praticamente não pagam.

Isso muda a conta de quem faz site para cliente. Dá para incluir a hospedagem no valor anual e ficar com a margem, em vez de repassar para a empresa de plano compartilhado. O servidor não cai por RAM ou CPU. Pode haver falha temporária da Cloudflare, como em qualquer plataforma. O site ainda pode ter erro e vulnerabilidade — essa parte continua sua. Só que gerir um site sem máquina ficou bem mais tranquilo, ainda mais com IA escrevendo e revisando código.

A Vercel, no plano pago, começava em US$ 20 na gravação. É a casa natural de quem construiu tudo em Next.js. Também é o exemplo clássico de ficar preso a um jeito de fazer o site.

Quando o serverless não substitui a VPS

O título do vídeo é uma provocação, não um atestado de óbito da VPS. Cloud, VPS e compartilhada não vão morrer no curto prazo. Tem gente presa no WordPress. Tem gente que prefere PHP — e, em alguns casos, PHP ainda é vantagem de segurança em relação a JavaScript. Tem linguagem que precisa de processo contínuo. Elixir em binário é o exemplo que eu usei. Node.js com daemon, worker interno, fila na própria máquina ou um runtime que assume o sistema operacional continua pedindo servidor.

Plataformas como n8n também nasceram para viver numa máquina. No vídeo eu digo que talvez valha abandonar esse modelo e ir para serverless, porque a IA hoje reescreve o projeto com uma velocidade que antigamente não existia. “Talvez” é a palavra honesta. Se o fluxo precisa de dezenas de conectores visuais, de um editor que a equipe não-programadora opera, ou de um processo que não cabe no tempo de CPU de um Worker, a VPS ainda é o chão. Há um guia no blog sobre avaliar Cloudflare Workflows como caminho paralelo ao n8n; não é o mesmo que desligar a VPS amanhã.

E-commerce, SaaS e site com login e usuário eu não recomendo no piloto automático. A ressalva da gravação é segurança. Se você programa e consegue mandar a IA revisar o código, o recorte afrouxa. A Cloudflare ainda oferece camadas para reduzir vazamento de API e abuso. Mesmo assim, sessão, pagamento e dado de pessoa não são o primeiro projeto para aprender Workers.

Fica de fora, na prática: painel que exige SSH o dia inteiro, software que só roda em Linux com pacote específico, GPU, banco pesado com escrita concorrente de verdade, e qualquer coisa que precise de um binário escutando porta como um sistema operacional comum. Nesses casos você não “migrou mal”. Você escolheu a ferramenta errada para o problema.

  • PHP, WordPress e CMS que assumem Apache ou Nginx o tempo todo.
  • Elixir e outros binários que precisam de processo contínuo.
  • Node.js quando o sistema é um servidor sempre ligado, não uma função por request.
  • n8n e afins, se a equipe depende do editor visual e dos conectores no estado atual.
  • Loja, SaaS e área logada, a menos que você saiba revisar autenticação e dado sensível.
  • Carga que estoura CPU curta, GPU, ou pacote que só existe no sistema operacional da VPS.

E se a Cloudflare encarecer, falhar ou prender o seu site?

A pergunta justa: a hospedagem serverless é gerenciada por uma empresa. E se ela cortar o plano gratuito, subir o preço, complicar a vida ou falir? Você construiu tudo naquele ecossistema. Pode acontecer. A Cloudflare oferece CDN grátis há mais de dez anos e nunca tirou; isso me deixa cético quanto a um corte brusco. Preço pode subir. Pode aparecer tecnologia melhor. Você pode ter escolhido um framework que só se dá bem ali — o caso do Next.js na Vercel é o mais citado.

O que mudou é o custo de sair. Migração de site, de linguagem e de banco ficou muito mais rápida com IA. Não precisa de um texto enorme de instrução: você descreve o caso, manda o código e pede a mudança. Se um dia a Cloudflare, a Vercel ou qualquer PaaS deixar de fazer sentido, a conversa com o modelo faz o trabalho que antigamente levava semanas.

O conselho da gravação, para quem já paga Codex, GPT ou Claude: leve o site para JavaScript ou TypeScript e publique nesse modelo. Menos dor de cabeça de servidor. Com o recorte de e-commerce, SaaS e login ainda no colo. ChatGPT até hospeda site agora, o que diz alguma coisa sobre o mercado de quem só vende máquina. Os dias ficaram mais difíceis para esse produto. Diminuir não é o mesmo que acabar.

Na sequência

  1. Confira se o projeto cabe em JavaScript, TypeScript, Python ou Rust na borda.
  2. Separe página, arquivo estático e banco: Worker, R2 ou S3, SQLite/D1.
  3. Estime requests e leituras com o tráfego real, não só com o marketing do plano gratuito.
  4. Se ainda há PHP, WordPress, binário ou processo 24 horas, mantenha VPS ou cloud para essa parte.
  5. Não jogue loja ou área logada para serverless sem revisar autenticação e segredo.
  6. Guarde um caminho de saída: código versionado e um desenho que a IA consiga migrar.

Onde isso quebra

Achar que serverless elimina servidor. Ele elimina a máquina que você administra.

Levar um WordPress ou um PHP legado para Workers e culpar a plataforma pelo runtime que não existe.

Prometer hospedagem grátis ilimitada para cliente sem ler a cota de request, banco e CPU.

Construir o site inteiro em Next.js só porque a Vercel “é o lugar do Next”, e depois reclamar do preço.

Ignorar login, pagamento e dado de usuário porque “a Cloudflare já protege”.

Perguntas frequentes

Serverless significa que o site não tem servidor?

Não. Significa que você não aluga uma máquina 24 horas. A plataforma executa o código no acesso e cobra por uso. Ainda existe servidor; ele não é o seu problema operacional.

Cloudflare Workers substitui qualquer VPS?

Não. Substitui bem site e ferramenta em JavaScript ou TypeScript, com arquivo em objeto e banco leve. Não substitui PHP, WordPress, Elixir, GPU, nem todo sistema Node que precisa ficar escutando o tempo todo.

O plano gratuito da Cloudflare aguenta um site de verdade?

Para site local e institucional, na gravação eu falei em até meio milhão de visitas no mês. O teto oficial de Workers no plano gratuito é 100 mil requisições por dia. Volume, tipo de request e leitura de banco decidem se isso sobra ou aperta.

E se eu ficar preso na Cloudflare ou na Vercel?

Pode acontecer, principalmente se o site nascer amarrado a um framework. A mitigação hoje é migração com IA: o código versionado sai de um runtime para outro em horas, não em um projeto de meses.

A comparação entre plataformas continua em Cloudflare Workers ou Vercel em produção. Quem ainda está saindo de plano compartilhado e CMS pesado encontra o relato em por que abandonei WordPress e hospedagem cara.