Eu uso Cloudflare há mais de 12 anos, mas durante muito tempo pensava nela como CDN, DNS e proteção. Quando comecei a hospedar aplicações no Workers, percebi que muita gente conhecia a Vercel por causa do Next.js e ainda nem tinha olhado para o que a Cloudflare oferecia além do CDN. A minha preferência pelos Workers vem do conjunto que uso no dia a dia; para escolher com cuidado, porém, é preciso comparar o que cada projeto pede de banco, execução e serviços extras.
A Vercel ficou conhecida junto com o Next.js
Quando alguém fala em hospedagem serverless para JavaScript, a Vercel costuma aparecer primeiro. Na minha leitura, isso vem da proximidade com o Next.js e da divulgação que a plataforma soube fazer. Há também um programa de afiliados. Isso não torna paga cada recomendação, mas eu não acho que esse incentivo seja irrelevante quando alguém escolhe qual hospedagem divulgar.
A Cloudflare ficou conhecida pelo CDN, pelo DNS e pela proteção de sites. Eu mesmo já usava esses serviços muito antes de pensar em publicar aplicações no Workers. A hospedagem serverless ficou menos visível para quem só conhecia a marca pela camada de rede, apesar de a plataforma reunir vários serviços para quem constrói sites e ferramentas.
O que consigo colocar no mesmo ecossistema
Workers executa o código e Pages hospeda sites, inclusive a parte estática. Para guardar arquivos e imagens, há o R2; eu trato o R2 como armazenamento de objetos, enquanto cache e entrega dependem da configuração usada para servir esses arquivos. A tabela atual não cobra a transferência de saída do R2, embora armazenamento e operações continuem tendo limites e preços próprios. D1 é SQLite na plataforma. Durable Objects entram quando preciso guardar estado compartilhado ou manter conexões em tempo real, como num jogo online.
Também existe o Workers AI, que deixa chamar modelos pela infraestrutura da Cloudflare. Isso evita administrar uma GPU própria, mas não torna a inferência ilimitada ou gratuita: o consumo é medido em neurônios e, hoje, há uma franquia diária seguida de cobrança por uso. Segurança e acesso também fazem parte do conjunto, com serviços como Turnstile e Cloudflare Access.
A Vercel oferece CDN, funções, armazenamento e integrações com provedores de dados. A diferença que pesa para mim é poder usar D1 e R2 como serviços da própria Cloudflare, sem precisar montar uma conta separada para cada necessidade simples. Quando um projeto pede outro banco ou uma integração externa, essa diferença diminui e o custo do fornecedor precisa entrar na comparação.
Compare as franquias junto com o preço de entrada
Hoje, o Workers Paid começa em US$ 5 por conta e inclui 10 milhões de requisições de Worker por mês, além de uma franquia de CPU. No Workers Free, o limite de código dinâmico é de 100 mil requisições por dia e cada execução tem 10 milissegundos de CPU; arquivos estáticos servidos como assets têm uma regra diferente. No Vercel, o Hobby é gratuito, mas se destina a projetos pessoais e não permite uso comercial; o plano inclui 1 milhão de invocações de funções por mês. No Pro, o assento de desenvolvedor custa US$ 20 por mês e o plano inclui US$ 20 em créditos de uso.
Essas unidades não contam a mesma coisa. A requisição dinâmica que chega a um Worker e a invocação de uma função na Vercel não equivalem a uma visita inteira; arquivos estáticos, cache e chamadas ao banco podem entrar em outras cotas. Então eu não pego os números do plano e concluo que uma hospedagem aguenta exatamente três vezes mais tráfego. A conta depende de quais rotas executam código, quanto CPU elas consomem e quais serviços acompanham o projeto.
A Cloudflare me parece mais barata para os projetos que eu costumo hospedar, mas o valor mínimo não encerra a comparação. Na Vercel, parte do uso está coberta pelo crédito do Pro; na Cloudflare, Workers, D1, R2 e Workers AI têm métricas próprias. Uma consulta ruim, uma função pesada ou um modelo de IA chamado em toda visita pode mudar o custo em qualquer plataforma.
O banco e o runtime podem decidir a escolha
Eu gosto do D1 porque SQLite resolve os blogs e catálogos que monto. Quando preciso de PostgreSQL, ele não substitui esse banco: na Cloudflare, posso ligar o Worker a um PostgreSQL externo pelo Hyperdrive; na Vercel, posso usar um provedor conectado pelo Marketplace. O banco pode ter preço e conta próprios, então eu somo esse serviço ao custo da hospedagem.
Também olho para as dependências do código. A Vercel oferece runtime Node.js e runtime Edge; Workers executa em isolates V8 e tem compatibilidade com parte das APIs do Node, além de opções como Python e Rust. Se uma biblioteca depende de uma API específica do Node, isso pesa a favor de um runtime compatível. Se o projeto já funciona dentro dos limites de Workers, não preciso escolher uma plataforma só pelo nome do runtime.
Next.js também pode rodar em Workers com um adaptador, mas eu verificaria as combinações e os recursos usados pelo projeto antes de migrar. “O framework roda” não garante que cada dependência e cada recurso específico vá funcionar sem ajuste.
Faça a comparação usando o projeto que você vai publicar
Eu faço a escolha com três perguntas bem concretas:
- O código usa APIs de Node.js ou dependências que não funcionam com as APIs disponíveis em Workers? Confira o runtime antes de hospedar.
- O banco pode ser SQLite no D1 ou o projeto depende de PostgreSQL e de um provedor externo? Inclua a conta desse banco no preço.
- Quantas requisições realmente executam código, quanto CPU cada rota usa e quais arquivos podem sair do cache? Compare essas medidas com as cotas de cada plataforma.
Por que continuo preferindo Workers nos meus sites
Para blog, site de negócio local e ferramenta web que cabe em Workers e D1, eu prefiro a Cloudflare. Já uso o CDN há muitos anos e agora também publico ali o código, o banco e os arquivos. Ter menos serviços separados me poupa configuração e contas. Eu acho a Vercel cara para o que preciso e a divulgação forte da plataforma não muda esse cálculo pessoal.
Eu não recebo comissão da Cloudflare para recomendar Workers. Minha opinião vem do que uso: estou satisfeito com a hospedagem e quero mostrar esse caminho em português, porque ainda encontro muito mais material sobre a plataforma em inglês. Se o projeto exigir Node.js completo, um serviço específico da Vercel ou um fluxo de equipe que já funciona bem ali, essa preferência pode mudar.
Também não trato “um milhão de visitas” como uma conta pronta. Um site que entrega páginas em cache pode usar pouco código dinâmico; uma aplicação que consulta o banco e chama IA em cada visita tem outro perfil. Para os sites que conheço, Workers cobre a maior parte do que preciso e costuma sair mais em conta que manter uma VPS tradicional.