Eu não traduzi o Suki Desu de uma vez só apertando um botão. O site já recebia perto de 300 mil visitas por mês, mas rendia pouco para o tamanho do projeto. Quando vi concorrentes de fora publicando em português, resolvi tentar o caminho inverso e levar meu conteúdo para outros idiomas. Antes de olhar os resultados, passei quase um ano preparando o site.
Prepare o site antes de abrir versões em outros idiomas
O Suki Desu já era um dos maiores sites brasileiros sobre cultura japonesa. Eu tinha bastante visita, mas a receita ainda era baixa para o tamanho do projeto. Ao mesmo tempo, sites estrangeiros estavam entrando no Brasil com conteúdo em português. Pensei: se eles conseguem trazer conteúdo para cá, eu posso tentar levar o meu para quem lê em outros países.
Passei quase um ano corrigindo, revisando e melhorando o site antes de ampliar a tradução. Num site grande, não basta olhar para o texto: tem páginas antigas, trechos mal traduzidos, elementos que precisam continuar funcionando e conteúdo que mistura idiomas. Se eu tivesse traduzido tudo sem revisar, teria espalhado os mesmos problemas por milhares de páginas.
Eu já usava outro plugin e traduzia alguns artigos de um em um. Em fevereiro de 2021, comprei uma ferramenta para levar o trabalho adiante. O português e o japonês aparecem juntos em partes do Suki Desu, e uma frase curta pode depender do contexto para fazer sentido. Por isso, antes de escalar, eu conferia como as ferramentas tratavam esses trechos e corrigia os padrões que voltavam a aparecer.
Meça o crescimento por período, idioma e país
Em 2020, eu via no Search Console uma média de 6 mil a 7 mil visitas diárias. Depois que comecei a trabalhar com outros idiomas, os números avançaram aos poucos: 9 mil, 10 mil, 11 mil, 16 mil e, mais adiante, 24 mil, 25 mil, 26 mil e 29 mil. A média chegou perto de 30 mil por dia. Para saber se a mudança acompanhava a tradução, eu olhava a tendência ao longo do tempo, não um dia isolado.
Também passei a receber visitas de lugares como Tailândia, México, Estados Unidos, Alemanha, Japão e França. Eu queria continuar crescendo e falei em chegar a 50 mil visitas diárias; aquilo era uma meta, não um número que o site já tivesse atingido. No Search Console, dá para comparar datas e filtrar por país e página para entender de onde vem a mudança.
Na divulgação do curso, eu falava em multiplicar as visitas em até dez vezes. O que eu consigo afirmar pela minha experiência é mais específico: o Suki Desu saiu de uma média de 6 mil a 7 mil visitas diárias para perto de 30 mil. Isso aconteceu com aquele site, naquele período, depois de muito trabalho de preparação; não é uma previsão para qualquer projeto.
Compare o RPM e a receita sem projetar um ganho igual para todos
Na versão em português, o RPM da página ficava perto de US$ 0,50. Com a versão em inglês, chegou a aproximadamente US$ 1; em algumas visitas de países como Suécia, Alemanha, França e Estados Unidos, eu via algo entre US$ 5 e US$ 6. Eram valores da minha conta. País, tipo de visita e anúncios exibidos mudam a receita, então eu não usaria esses números como uma tarifa garantida para outro site.
A evolução mensal também ajuda a colocar o resultado no tempo: ganhei perto de US$ 100 por mês em 2018 e US$ 200 em 2019. Em 2020, alguns meses ficaram em US$ 216, US$ 175, US$ 170 e US$ 300. Em 2021, conforme ampliei a tradução, a sequência passou por cerca de US$ 300, US$ 400, US$ 500, US$ 600, US$ 900, US$ 1.100 e US$ 1.154.
Naquele momento, minha meta era chegar a US$ 1.500 por mês, e eu já tinha recuperado em poucos meses o valor do plugin. Para avaliar outro projeto, eu colocaria lado a lado o custo da tradução, a receita antes e depois e a origem das visitas. O meu resultado no Suki Desu explica por que continuei o trabalho; não diz quanto um site diferente vai ganhar.
Ofereça a página no idioma de quem poderia citá-la
Eu acompanhava os links do domínio pelo Ahrefs. O Domain Rating, ou DR, saiu de perto de 20 e chegou a 40 ou 41 naquele período; as referências apontando para o site também aumentaram. Na minha leitura, publicar em inglês e em outros idiomas deixou o conteúdo mais acessível para quem escrevia sobre cultura japonesa nesses mercados.
Eu não via muito sentido em correr atrás de links de sites estrangeiros se a página indicada só existia em português. Quando havia uma versão que o leitor daquele país conseguia acompanhar, ficava mais natural alguém compartilhar ou citar o conteúdo. Tradução não compra nem garante links: ela pode tornar a página útil para pessoas que antes não conseguiam lê-la.
O DR é uma métrica da Ahrefs para comparar perfis de links; não é uma nota do Google. Se você abrir páginas em vários idiomas, use endereços diferentes e relacione as versões para que leitores e buscadores encontrem a página certa. O Google documenta o uso de URLs por idioma e de `hreflang` para indicar essas variações.
Teste as ferramentas e corrija padrões antes de traduzir tudo
Foi desse trabalho que saiu meu curso sobre tradução de sites: eu queria organizar as ferramentas e as soluções que fui aprendendo. Para corrigir um erro repetido em dois mil artigos, por exemplo, você pode localizar o padrão e tratar várias ocorrências de uma vez, em vez de abrir cada página manualmente. Eu usava banco de dados, expressões regulares e substituições, mas sempre conferindo o que a regra ia alterar.
Também estudava diferenças entre TranslatePress, GTranslate e Polylang. Nenhum plugin resolvia tudo do mesmo jeito, porque os sites tinham estruturas e históricos diferentes. Além do texto, era preciso conferir tags, shortcodes, filtros, imagens, layout e erros que só apareciam depois de publicar. Em páginas que misturavam português e japonês, contexto fazia diferença para não traduzir uma expressão que deveria permanecer como estava.
Se eu estivesse começando esse processo hoje, escolheria primeiro algumas páginas representativas, verificaria como a ferramenta trata cada elemento e só depois ampliaria para o restante do site. Os problemas que se repetem podem ser corrigidos em lote, mas uma regra errada também se repete em lote. Foi por isso que eu organizei as aulas a partir das dúvidas e dos casos concretos que apareciam no trabalho.