IA aplicada

Agentes e apps de IA: o mapa além de Cursor, Claude Code e Codex

Provedor, modelo, gateway, harness, IDE, CLI e orquestrador não são a mesma coisa. Um mapa das dezenas de agentes de IA que existem agora, sem transformar a lista em ranking.

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Thumbnail do vídeo: Existem +50 Agentes e APPs de IA e você conhece apenas 5!

Você provavelmente conhece o Cursor, o Claude Code e o Codex. Talvez o Hermes. Enquanto isso, Pi, Droid, OpenCode, Kilo, Qwen Code, Grok Build, Auggie, Goose, Stakpak e dezenas de outros já estão no terminal, no celular ou coordenando vários processos ao mesmo tempo. O incômodo não é falta de ferramenta: quase todas parecem uma cópia até você olhar o que está ao redor do modelo.

Não monte um ranking. Separe provedor, modelo, gateway, harness, superfície e orquestrador. Dois apps com o mesmo modelo entregam trabalho diferente: contexto, terminal, git, permissão e memória mudam o resultado.

O que o vídeo monta
Um mapa de tipos, não um pódio
Peça que mais muda o resultado
O harness, não só o modelo
Pergunta útil
Que restrição o app impõe ao seu fluxo

Provedor, modelo e gateway não fazem o mesmo trabalho

Provedor entrega o modelo: OpenAI, Google, Anthropic, MiniMax. Há ainda quem unifique o acesso — uma ponte, uma chave, vários cérebros. No vídeo eu cito OpenRouter, Cloudflare e o AI Gateway. Essas empresas também costumam oferecer app, CLI, IDE e chave de API.

Modelo é o cérebro bruto: GPT, Claude, Gemini, Kimi, GLM, MiniMax. Sozinho ele não abre arquivo, não usa o navegador, não roda teste e não abre pull request. Quem coloca essa infraestrutura em volta é o harness, da própria casa ou de um terceiro. Dá até para criar um agente no navegador e rodar em um ecossistema como o da Cloudflare.

O harness é o que diferencia um app do outro

Cada aplicativo foi desenhado para orientar o modelo e executar a tarefa. Isso não se resume à mensagem que você escreve. Terminal, git, navegador, MCP, regras, memória, permissões, contexto e consumo de tokens passam pelo harness. Claude Code é um harness. Codex é um harness. Hermes também.

Na hora de escolher ferramenta para programar, olhar só as telas é pouco. Dois agentes com o mesmo modelo e o mesmo pedido podem sair com resultados diferentes porque organizam o contexto e oferecem ferramentas de jeitos distintos.

IDE, CLI, app e orquestrador são superfície, não inteligência

Superfície é o lugar da conversa. CLI no terminal. TUI, ainda no terminal, só que visual. IDE, o editor — o Visual Studio Code entra aqui. App de desktop, navegador, celular. Alguns usam WhatsApp e Telegram. Nada disso define a inteligência. Define onde você interage.

Orquestrador é a palavra que mais embaralha: interface para iniciar, acompanhar, comparar e coordenar vários agentes. Parece harness, parece superfície, e os termos se misturam. Hoje a maior parte desses produtos pode ser chamada de agente de código, agente de uso geral, harness, orquestrador ou simplesmente app. Quem usa a IA também orquestra. E existem apps que de fato gerenciam vários harness numa aplicação só.

Com isso no lugar, a lista de 50 deixa de ser pódio. Quase tudo copia quase tudo. O que muda é desenho, idioma, plugin, modelo, plano e o contexto.

Codex, Claude Code, Antigravity e o resto dos gigantes

As queridinhas vendem assinatura com limite em cima de modelo de fronteira. Três nomes representam OpenAI, Anthropic e Google: Codex, Claude Code e Antigravity. Os três têm CLI. O que muda é o harness. Vale experimentar no seu tipo de tarefa. Palpite da gravação, não laboratório: Claude Code pode sair com design mais cuidado; Antigravity, com sites melhores; Codex, mais rápido.

O Codex começou como CLI, virou extensão de IDE, passou pela nuvem, ganhou desktop e hoje acompanha pelo app do GPT no celular. A interface unificou e virou simplesmente GPT: vários agentes, worktrees, cara de gerenciador de projetos. O lado ruim é o cercado da OpenAI. O lado bom, para mim: o plano mais generoso de limite e de reset. O Claude Code unificou Cowork num app só; a OpenAI fez o movimento parecido depois. Eu achei o sistema de uso da Anthropic mercenário. Com o MiniMax, que é parecido, tive menos atrito.

O Antigravity nasceu como um Visual Studio Code agêntico e depois ganhou app dedicado com chats. O GitHub Copilot foi enorme no lançamento e hoje quase não se fala dele — a impressão é de abandono. O Windsurf foi comprado pela Devin e os dois viraram um. A AWS entrou com o Kiro, que parte de especificação e tarefa em vez de mandar escrever na hora. A JetBrains tem o Junie, para quem já vive no IntelliJ, PyCharm, WebStorm ou Android Studio.

Open source e a liberdade de trocar de modelo

O OpenCode é agente de programação aberto: terminal, desktop e IDE. Não prende você aos modelos de uma empresa. Dá para ligar provedor, modelo local e API compatível — um barato para explorar, outro mais capaz na hora de implementar. No desktop, o que me agradou foi ler as variáveis de ambiente: com a Cloudflare na máquina, listou os modelos do Workers e do AI Gateway. O app ainda é novo e trabalha com abas.

O Pi se define como harness minimalista: núcleo pequeno, extensão, skill, template e tema só quando você precisa. É fundação para montar o seu Claude Code em cima. O Oh My Pi parte dessa base com uma experiência mais pronta, no mesmo espírito das distribuições Linux.

Kilo Code, Cline e Roo Code nasceram perto uns dos outros. O Kilo roda em VS Code, JetBrains e terminal na nuvem, com modos de arquiteto, programador e debugger. O Cline ficou conhecido como extensão no VS Code: arquivo, comando, navegador, MCP; agora tem CLI. O Roo Code aceita modelos diferentes e modos personalizados. De fora, a diferença entre os três é pequena: copiam o que funciona. Muda experiência, plano e contexto.

O Aider é veterano, anterior à moda de chamar tudo de agente: terminal, vários modelos, arquivo e repositório. A interface não compete com os apps novos. O Continue tem extensão para VS Code e JetBrains e um agente de terminal chamado cn; o Cursor o comprou. Nomes desta lista podem ter sido adquiridos, extintos ou trocados, porque o mercado se move rápido.

O Qwen Code, da Alibaba, não fica preso aos modelos Qwen. Aceita API da OpenAI, Anthropic, Gemini, provedor terceiro e modelo local via Ollama ou vLLM, com memória, skill, subagente, equipe e MCP. O Kimi Code é o CLI da Moonshot, agora com aplicativo. A Mistral tem o Mistral Vibe e ainda Forge, Studio e Comput, alguns voltados a workflow. O Goose, da Block, é aberto e roda no desktop, no terminal e por API. Aparece em lista de código, mas é mais geral: pesquisa, automação, análise de dados. Fica no meio do caminho entre Claude Code, Hermes e OpenClaw.

Mais CLIs, DevOps, Rust e modelos abertos

A rua de terminais não acaba. VT Code e fast-agent aceitam vários provedores. DimCode tenta um comando só para vários modelos. O Droid, da Factory, pende para delegação. O Auggie CLI, do Augment Code, carrega contexto para bases grandes e entra em pull request e CI. O Amp vem da Sourcegraph. Ainda aparecem Qoder CLI, TRAE CLI da ByteDance, CodeBuddy Code da Tencent, o agente GLM da Zhipu AI — troca de modelo no meio da sessão — e o Grok Build da xAI. No desktop: Cortex Code da Snowflake, Poolside, Nova da Compass AI, Autohand Code. Quem tem CLI provavelmente chega em IDE. O harness vive em qualquer superfície.

Nem todo mundo nessa fila quer mais uma interface. Stakpak, em Rust, mira DevOps e servidor. Corust Agent foca Rust. DeepAgents, da LangChain, interessa a quem quer a arquitetura do agente. CodeWhale concentra-se em modelos abertos como DeepSeek. Dirac edita em paralelo com âncoras por hash. crow-cli é minimalista em torno do Agent Client Protocol. siGit Code nasce local first, com modelo no dispositivo. Minion Code assenta no framework Minion. Agoragentic funciona mais como catálogo. Se o trabalho é infra ou modelo no computador, a ferramenta certa pode ser a que quase ninguém recomenda.

Agentes de uso geral: Hermes, OpenClaw, MiniMax e Kimi

Programar não é a única categoria. Hermes Agent, da Nous Research, também abre arquivo, terminal e navegador, mas quer ser persistente: memória entre sessões, skills que nascem depois da tarefa e automação agendada.

O OpenClaw não é só um Claude alternativo. É um gateway self-hosted: você instala na máquina ou no servidor e liga WhatsApp, Telegram, Discord, Slack ou Signal. Tem runtime, ferramenta, memória, sessão e vários agentes. Também faz ponte para um agente de programação.

O MiniMax Agent é o ambiente da MiniMax no espírito do Codex: CLI, IDE, o pacote. Na mesma assinatura chega a música, TTS e vídeo. Para quem procura alternativa ao Codex, achei uma opção honesta. O Kimi Agent pende para site, documento e apresentação — e, como o resto, pode ter unificado o app sem aviso.

Synara, T3 Code e Paseo: controlar o que já está instalado

A categoria de que eu mais gosto não inventa um agente novo. Controla os que você já tem. O Synara é gratuito, open source e workspace: se o Antigravity CLI, o Codex CLI e o Claude Code CLI estão na máquina, ele identifica sozinho. Dá para ligar Cursor, Kilo Code, Pi, Droid. Dentro: chat, terminal, navegador, preview, branch, git worktree. Dá para trocar de agente no meio ou colocar dois ou três no mesmo branch.

O T3 Code foi uma das bases do Synara: mais minimalista, ainda com interface, mais perto do terminal. O Paseo não tem agente próprio: supervisiona as CLIs instaladas no desktop, no navegador, no terminal e no celular. Na gravação cobria mais de 39 agentes. Você inicia no computador e acompanha no smartphone. Synara mira o desktop; T3, a simplicidade; Paseo, a central entre dispositivos.

Codex e Claude Code também orquestram, só que com os modelos da casa. A Factory tem app para os Droids. O Conductor, no macOS, roda Claude Code, Codex e worktrees. O Superset, também no Mac, multiplexa terminais. OpenChamber é desktop e PWA para o OpenCode. Happy Coder leva sessão de Claude Code e Codex para o navegador e o celular. Alguns criam o harness; outros só colocam interface; o Cursor faz as duas coisas.

  1. Ele tem agente próprio ou está ligando outro por trás?
  2. Usa só os modelos da empresa ou aceita provedores diferentes?
  3. A tarefa roda na sua máquina ou na nuvem?
  4. Consome a sua assinatura ou cobra crédito de API?
  5. Serve só para código ou também para trabalho geral?
  6. Controla um agente ou vários ao mesmo tempo?

Como escolher sem transformar isso em ranking

Não existe uma ferramenta melhor para todo mundo. Perto e fácil: Cursor, Codex ou Claude Code. Trocar de modelo e controlar gasto: OpenCode, Pi, Kilo, Cline, Roo Code, Aider. Além de código: Hermes, OpenClaw, Goose, MiniMax, Kimi. Vários CLIs e vários planos: Synara, T3 Code, Paseo, Conductor, Superset. Testar a lista inteira é inviável — assinatura, crédito de API sem teto, repositório novo que pode drenar token. Estrela ajuda; não substitui desconfiança. O caminho honesto é instalar, ligar o gateway ou usar o limite do Claude e do Codex que você já paga, e trabalhar no seu repositório.

Na sequência

  1. Separe provedor, modelo, gateway, harness, superfície e orquestrador antes de comparar telas.
  2. Decida se você precisa dos modelos da assinatura ou de liberdade para trocar de provedor.
  3. Confira se a tarefa roda local, na nuvem ou nos dois.
  4. Olhe GitHub, issue e permissão pedida antes de instalar um CLI desconhecido.
  5. Teste no seu repositório com o limite do plano que você já paga.
  6. Se for orquestrar, instale os CLIs primeiro e só depois escolha Synara, T3 Code ou Paseo.

Onde isso quebra

Tratar IDE, CLI e app como se fossem o cérebro do agente. Eles só mudam o lugar da conversa.

Julgar duas ferramentas pelo mesmo modelo e achar que o resultado igual prova que o harness é igual.

Instalar um agente novo do GitHub com chave de API irrestrita porque a documentação prometeu milagre.

Tentar “testar os 50” e gastar crédito sem uma tarefa real do seu projeto.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor agente de IA para programar?

Não há um. Cursor, Codex e Claude Code resolvem o caso de quem quer um pacote pronto. OpenCode, Pi, Kilo, Cline, Roo Code e Aider cabem melhor quando o modelo precisa mudar. Hermes, OpenClaw, Goose e MiniMax saem do recorte só de código.

Harness e orquestrador são a mesma coisa?

Não. Harness é a infraestrutura que executa o modelo: terminal, git, memória, permissão, contexto. Orquestrador é a superfície que inicia e coordena um ou vários agentes. Um app pode ser os dois; outro só empilha interface em cima de um CLI que você já instalou.

Posso usar o plano do ChatGPT ou do Claude dentro de outro app?

Em vários casos, sim. Synara, T3 Code e Paseo identificam CLIs instalados e conversam com esses harness. A conta continua sendo a da OpenAI, da Anthropic ou do Google; o app novo é a sala de controle.

Vale pagar API avulsa para experimentar harness?

Só com teto e com uma tarefa curta. Sem disciplina, crédito de API some rápido. Usar o limite da assinatura que você já tem é o começo mais barato.

Se a dúvida for menos “qual agente existe” e mais “como testar o app no seu repositório”, o comparativo de apps de IA para desktop continua o critério. A escolha da ferramenta de código também conversa com uma stack web proporcional ao projeto.