Redação

Como eu escrevo os artigos dos meus sites — o método da aula de 37 minutos

Em 2021 eu gravei 37 minutos escrevendo o próprio post no WordPress: introdução, sumário com âncora, Search Console, concorrente, 800 palavras, lista, Unsplash e o vídeo embutido.

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Thumbnail do vídeo: Como eu escrevo meus artigos para meus sites

Eu abri o WordPress do kevinbk.com, criei o rascunho e apertei o rec. O artigo da tela era este assunto: como eu escrevo os artigos dos sites. Não era teoria depois da aula. Era a aula acontecendo no editor. No Suki Desu isso já tinha me levado a mais de 500 mil visitas no mês, no nicho de Japão. No blog pessoal eu ia mostrar o mesmo processo, parágrafo por parágrafo, enquanto o Camtasia rodava em trial no Mac.

Eu começo com dois ou três parágrafos de introdução, coloco um sumário com âncora para cada H2 (mesmo em texto curto), busco o tema no Search Console e nos concorrentes da primeira página, escrevo com as minhas palavras — muitas vezes na barra de endereço, para não colar formatação — e só então fecho lista, imagem 800×450 com alt, um vídeo do YouTube e a categoria. O piso que eu falava na época era uns 800 palavras e no mínimo três H2. Qualidade na frente de quantidade. Fonte em inglês quando o português da concorrência é raso.

Formato da aula
37 min escrevendo o post ao vivo no Gutenberg
Esqueleto
Intro + sumário com âncora + H2 com ~3 parágrafos
Piso da época
Três H2, ~800 palavras, uma imagem por seção

O artigo nasceu na mesma hora do vídeo

O primeiro parágrafo que eu digitei na tela já era a promessa: detalhe por detalhe, como eu encontro ideia, como eu organizo, como eu escrevo para posicionar. O segundo citava o Suki Desu e as 500 mil visitas. O editor era o de blocos do WordPress — “a melhor ferramenta”, eu disse na época, com o entusiasmo de quem ainda vivia de PHP e plugin.

A introdução, no meu padrão, tem dois ou três parágrafos. Não é um ensaio. É o recorte e o porquê de continuar. Logo abaixo entra o sumário. O resto da aula segue esse índice: tema, âncora, corpo, imagem, vídeo, fecho. A aula é avançada para quem ainda não tem site. Dá para copiar a ordem. Eu estava melhorando um texto meu, com arquivo de âncora já no ar, não inventando o primeiro post da vida.

Sumário com âncora, mesmo com três subtítulos

Eu disse na câmera para nunca publicar sem sumário com âncora, mesmo com poucos H2, mesmo abaixo de mil palavras. A lista vira atalho na página e, no Google, aumenta a chance de o buscador mostrar o subtítulo no lugar do título. Hábito, não garantia.

No Gutenberg o caminho é curto. O link do item é um jogo da velha mais o identificador: `#buscando-assuntos`. No bloco do H2, em Avançado, a âncora HTML recebe o mesmo identificador, sem o jogo da velha. No editor clássico o H2 leva `id="buscando-assuntos"`. Plugin de TOC existe. Eu preferia o bloco com fundo de cor diferente e a lista na mão.

Fora da live eu escrevo os H2 primeiro, copio os títulos para o sumário, tiro o “H2” que o editor cola e fecho os links. Na gravação eu inventava a seção na hora, então o índice nasceu torto. Link interno para a página que aprofunda o mesmo ponto — eu já tinha um post só de âncora — faz parte do texto, não de uma caixa de “leia também” no rodapé.

  1. Escreva dois ou três parágrafos de abertura, sem sumário ainda.
  2. Defina no mínimo três H2. Cole os textos no bloco do índice.
  3. Em cada item, o link é `#identificador`. No H2 correspondente, a âncora HTML é `identificador`.
  4. Dê uma cor de fundo no bloco do sumário para ele parecer um quadro, não mais um parágrafo.
  5. Publique só depois de clicar em cada item e ver o salto.

De onde sai o tema: Search Console, concorrente, Ubersuggest

A primeira seção que eu escrevi no rascunho foi “buscando assuntos”. Eu já tinha um guia no ar sobre ideia de pauta. O atalho honesto: se o texto antigo cobre o ponto, eu linko e sigo. Se a consulta está ganhando visita dentro de um artigo genérico, eu abro um post só para ela.

O Search Console é o primeiro painel. Em resultados de pesquisa você vê que consulta levou a que URL. Às vezes a pessoa chegou num artigo longo por um termo que só aparece no meio do texto. Esse termo, se o volume segura, merece página própria. Não é chute. É o Google te mostrando o que já puxa impressão no seu domínio.

Ahrefs entra para ver que consulta cada URL já captura e o que o concorrente ranqueia. Keyword Shitter (eu errei o nome na hora, voltei e copiei) gera uma lista enorme a partir de uma semente; eu jogava essa lista no searchvolume.io para ver volume. Ubersuggest, na aula, eu chamei de a melhor ferramenta grátis que eu tinha visto: concorrência e páginas que levam visita no site dos outros. Ferramenta muda de teto. O uso permanece: olhar o tráfego, não só a ideia do chuveiro.

A outra pesquisa é a mais simples e a que eu mais repeti: Google na consulta do artigo, primeira página, subtítulos dos que já estão lá. Eu não copio o H2. Eu olho o que falta, o que está raso, o que posso fazer maior e mais completo. Sem isso, o texto novo é um clone tímido. Com isso, o texto novo tem um alvo: passar o que já ranqueia.

Escrever na barra de endereço, com as minhas palavras

Um hábito que eu mostrei e que parece piada até você colar um parágrafo do concorrente no Gutenberg: a formatação vem junto. Fonte, span, estilo. Eu prefiro ler a outra página e digitar na barra de endereço do navegador. Sem itálico colado. Sem classe CSS do tema alheio. Copio de lá, puro, para o editor. Parece improviso. É mais rápido do que ir e voltar do Bloco de Notas e bem mais limpo do que “colar e depois limpar”.

Ler e reescrever não é o mesmo que pegar o parágrafo, trocar três palavras e achar que ficou original. Eu falei isso olhando para o editor: escreva com a sua palavra. Sempre. O concorrente é fonte de estrutura e de furo, não de frase. Se o site inimigo listou dez itens, eu não listo dez. Eu listo cinquenta, ou eu listo os dez com uma explicação que ele não deu. A primeira página do Google não se toma no dia do publish. Toma quem insiste em texto melhor quando o domínio ainda é pequeno — e quem já tem domínio, insiste igual.

Por subtítulo, o meu piso era uns três parágrafos — bloco que dá para respirar, não uma linha e o próximo H2. Menos de três H2 eu tratei como pobre demais para o índice. Palavras: eu falei em pelo menos 800. Na gravação o rascunho passou de 300, 400, 600, 690. Eu disse que 800 era o ideal e que 600 já era mais do que muita gente publica. Publiquei por volta disso, com a internet caindo. O número não é lei do Google. Era o meu chão para não entregar post de 200 palavras recortado de outro site.

Lista, densidade e o que eu pego de vários lugares

Lista aumenta palavra sem mais um parágrafo de enrolação. No nicho de Japão — nome de animal, de comida, tabela sem copyright de fato — eu pego várias listas, junto, mudo a ordem, e o resultado parece nova. Dado público, não artigo colado. Se o concorrente tem dez, eu não fico com dez.

Na lista de “o que deixa o artigo melhor” eu fui ditando: sem erro de português, sem repetir, sem enrolar — e eu estava enrolando no vídeo, de propósito, para o método grudar. Não martelar o termo principal; o teto que eu usei de cabeça foi uns 5%. Isso não é regra do Google. É um jeito de 2021 para eu não repetir a mesma frase. Hoje eu olho se o parágrafo ainda informa.

O resto da lista, na ordem da aula: uma imagem por H2; tema que as pessoas compartilham; parágrafos curtos, umas três linhas na tela; informação verdadeira; tom positivo. No recorte de Japão eu me irritei com texto de suicídio usado como isca. Citei a ordem que eu tinha na cabeça — dezoito mortes a cada 100 mil no Japão, onze no Brasil — para dizer que o recorte negativo é seletivo. Eu preferia escrever o que atrai quem gosta do tema. Positividade, no meu fluxo, é escolha de pauta, não mentira. Frase confusa sai na revisão: eu não consegui cortar enquanto gravava. Essa camada está em <a href="/blog/como-revisar-artigo-de-redator-antes-de-publicar">como eu reviso artigo de redator</a>; a costura entre posts, em <a href="/blog/como-fazer-links-internos-manualmente-no-wordpress">links internos no WordPress</a>.

  • No mínimo três H2, com sumário apontando para cada um.
  • Uns três parágrafos por H2, não uma linha e o próximo título.
  • Piso de volume que eu usava: perto de 800 palavras; abaixo de 200 eu nem considerava artigo.
  • Lista quando a lista ensina — junta fontes, muda a ordem, não cola um ranking alheio.
  • Uma imagem por seção, alt preenchido, um vídeo quando fizer sentido.
  • Tom que a pessoa aguenta ler até o fim, sem isca de tragédia para clique.

Imagem 800×450, multa, alt e o vídeo no meio do texto

O padrão que eu usava era 800 por 450. Uma imagem depois de cada H2, para o texto não virar cimento. Unsplash e Pexels — eu errei o nome na hora — para foto livre. Google Imagens com filtro de direitos de uso, quando a busca livre não dava conta. Alt em toda imagem. Capa e categoria marcadas, senão o post some no WordPress. Direito autoral não é juridiquês: eu levei multa por foto de outro site. Banco livre, filtro de licença, ou foto sua.

Vídeo no artigo eu empilho de propósito. A busca de vídeos pode mostrar a miniatura apontando para a sua URL, não só para o YouTube. Pode ser o seu. Pode ser o de outro canal. Eu ainda abria um H2 só para o vídeo quando queria essa chance extra. PDF também entra, se o material for arquivo. Afiliado — livro da Amazon, curso da Udemy — eu uso para recomendar e para o artigo ganhar bloco concreto. O plugin da Amazon, naquele dia, bugou na hora de inserir. Não é o motor do texto. O motor é a seção que o concorrente não escreveu.

  1. Redimensione para o padrão do tema — o meu era 800×450 — e preencha o alt em português.
  2. Uma imagem por H2, depois do texto. Confirme a licença se a foto não for sua.
  3. Embutir um YouTube quando o assunto tiver aula. Marcar categoria e capa antes de publicar.

A lista no celular, fonte em inglês e o publish com a net caindo

Eu mostrei os Lembretes do iPhone: uma lista longa de pautas, muita coisa ignorada, muita coisa esperando. Ideia na rua vira nota. Nota vira rascunho. Sem essa fila, o blog vive de inspiração e seca. Com essa fila, o dia de escrever já tem título. Não precisa ser sofisticado. Precisa existir.

Fonte em inglês: no Brasil a primeira página às vezes é Wikipedia rasa e blog que se cita. Inglês tem mais recorte. Dicionário no meio do texto — explicar o termo — alonga com função, não com enrolação. Várias fontes, um texto que abrange mais do que o concorrente. Se precisar, eu gravo outra aula de um artigo aleatório, do zero.

Publiquei. A internet caiu no meio. A contagem ficou na casa das 600 e tantas. Eu disse que 800 era melhor e que aquilo já servia para a aula. O método não era o número. Era a ordem: abertura, índice com âncora, tema tirado de dado e de concorrente, frase minha, H2 com carne, lista, imagem com alt, vídeo, categoria, fila de ideias. O resto é repetir isso em vez de copiar 200 palavras de um site aleatório.

Na sequência

  1. Abrir o Search Console e anotar consultas que já entram em artigo genérico.
  2. Ler a primeira página do Google e listar H2 que o seu texto precisa passar.
  3. Escrever a abertura e os H2 antes de encher parágrafo.
  4. Colocar âncora no sumário e testar o salto.
  5. Uma imagem por seção, alt, um vídeo se couber, categoria e capa.
  6. Guardar a próxima pauta no celular, não na memória.

Onde isso quebra

Copiar o parágrafo do concorrente e só trocar o adjetivo.

Publicar sem sumário porque “são só três subtítulos”.

Usar foto de outro site sem licença — eu já levei multa.

Medir o artigo só por contagem de palavras e esquecer se cada H2 ensina alguma coisa.

Perguntas frequentes

800 palavras é regra?

Era o piso que eu usava em 2021 para não publicar post raso. Na aula o rascunho saiu perto de 600 e eu publiquei assim. O Google não tem um número mágico. O texto precisa cobrir o assunto melhor que a primeira página.

Por que escrever na barra de endereço?

Para não colar formatação de outro site no Gutenberg e para forçar frase minha. É um bloco de notas que já está aberto no navegador.

Sumário automático de plugin serve?

Serve. Eu preferia o bloco manual com fundo e âncora no H2 porque eu controlava o texto do item. O que não serve é artigo sem nenhum índice clicável.

Ubersuggest e Ahrefs ainda são o combo?

Na aula, sim. Ferramenta grátis muda teto. O Search Console não muda de dono. Comece por ele e pelos H2 de quem já ranqueia. O resto é acelerador.

Posso embutir vídeo de outro canal?

Eu fazia isso de propósito: a busca de vídeos pode mostrar a miniatura apontando para o meu artigo. Escolha vídeo que ensina o ponto, não um player aleatório para “ter mídia”.

A passada de revisão — o que essa aula não deu tempo de fazer com calma — está em como revisar artigo antes de publicar.